Leitura de um minuto... e só um já basta!


30/07/2005


Amarga (qui nem jiló)... parte II

A cidade continua a mesma, os bares são os mesmos. As pessoas sentadas nos bares são as mesmas (isso, nesta cidade, chega a ser regra...), os carros nas ruas são os mesmos. O sinal de trânsito é o mesmo e as músicas que tocam aqui no rádio são as mesmas. E os postes, a ponte, a banda ali em cima, o copo (meio cheio) aqui na frente é o mesmo, e ele está na mesa que é a mesma de sempre... os amigos são os mesmos, o toque do meu telefone é o mesmo. E os sorrisos são os mesmos de sempre, os motivos também, assim como as piadas. A conta, incrível, é a mesma! E os flanelinhas também são os mesmos. O mesmo CD, a mesma rua, o mesmo caminho, o mesmo portão. A mesma garagem, a porta e a grade também são as mesmas. O espelho é o mesmo, a toalha, a camisola. A insônia é a mesma, assim como o computador, o teclado. Na internet, a senha é a mesma, os sites, o Word. Meus dedos voam pelo teclado da mesma maneira. Está tudo igual, mas está faltando alguma coisa... falta... espera... não, o suspiro não é mais o mesmo, hoje ele está doído...

Escrito por Ma.Ad. às 01h32
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26/07/2005


Trecho de um livro de não-ficção que um dia, quem sabe (se eu fizer algo que preste na vida) venha a ser publicado...

“(...) Ela queria gritar, queria pular, queria quebrar um vaso de vidro (na cabeça de alguém...). Deitara às 4:00 da manhã na noite anterior, mas o sono só chegou quando os pássaros já cumprimentavam os primeiros raios de sol. E foi um sono leve, não que estivesse cansada, mas simplesmente sua mente não parava. (...) Mestre Chico dizia “não se afobe não, que nada é pra já”, mas não era assim que Ela se sentia. Não tinha pressa, impaciência era a palavra mais adequada. Passou do arquiteto para os Engenheiros, “o que você não pode, eu não vou te pedir, e o que você não quer, eu não quero insistir”. Dos Engenheiros para o grande Rei(s), “a pé até encontrar, um caminho, um lugar...”  (...) Tinha entendido que não suas forças eram insuficientes para competir com traumas tão duradouros. E nem queria competir, aliás, nunca o quis na realidade. Aquela situação, definitivamente, não era o que planejara... mas quem disse que a vida segue planos? (...) Lembrava da sua definição de Amor, e do quanto passara a se sentir só depois daquele texto. “Não se ama quando não se conhece quem se está amando”, era o que dizia, pois como ela iria amar a si mesma quando mal podia dizer quem era? Ela conhecia bem aos outros – às vezes seu dom para a observação surpreendia até a Ela mesma - mas não aquela pessoa que a olhava todos os dias do outro lado do espelho. “Olá, Estranha, quem é você hoje?”, “Não sei”... Ah, tudo o que Ela queria era não mais pensar, e como queria ter o poder de escolher os caminhos que seus sentimentos percorreriam... pensou melhor, e lembrou da idéia do seu outro estilo de vida, o “Otimismo-Barbie”, tudo dá certo no final. Pois achou que era hora de colocar um ponto final naquilo tudo. Independência Emocional, não desgostar, mas saber exatamente aonde encaixar cada coisa. Não queria competir, nunca se preparara para tal batalha. Não sabia se era o certo, mas não dependia mais d’Ela. Seu segredo permaneceria ali guardado, até minguar. Enquanto isso, dava uma volta de 180o. Vislumbrou um horizonte preto-e-branco, mas tinha pincéis e iria procurar suas cores vibrantes. Isso sim dependia apenas dela. (...)”

Escrito por Ma.Ad. às 16h07
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25/07/2005


Mais outro trecho de um livro de não-ficção que um dia, quem sabe (se eu fizer algo que preste na vida) venha a ser publicado...

"(...) Ela sempre achou que era transparente como um copo de cristal. (...) Aprendera que demonstrar, se mostrar, era sinônimo de admitir a própria fraqueza, mas com o passar dos tempos foi vendo que tratava-se justamente do contrário, apenas os fortes de verdade sabem revelar. E qual não foi sua surpresa quando ouviu uma pessoa verdadeiramente confiável dizer que Ela era mais enigmática do que pensava ser. Logo Ela, um caso típico de clichê ambulante... pelo menos era o que pensava. Mas não o era. Sua mania de tentar ser forte talvez camuflasse o que sentia, assim Ela mantinha uma aura (indesejada) de mistério. (...) Tinha se revelado uma ou outra vez, jogado limpo, mas como os resultados nem sempre eram dos melhores (para Ela), preferia agora se certificar sobre o terreno que pisava. Por isso resistia tanto em abrir o cadeado daquele baú fundo que era seu coração, "culpa do maldito trauma". (...) Era verdade que poucas pessoas a conheciam de verdade, apenas quem a observava podia defini-la, e mesmo assim sem muita precisão. Nem Ela mesma se sentia com capacidade de dizer quem era, o que sentia, com que intensidade e por quê o fazia. É, talvez escrever fosse uma maneira de tentar mostrar um pouco da sua alma desconhecida, assim alguém que entendesse o que Ela queria dizer poderia depois lhe explicar... suspirou cansada de nunca chegar a nenhuma conclusão e começou a achar que era mais um daqueles casos perdidos... (...)"

Escrito por Ma.Ad. às 03h49
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Conclusões 002 (de muitas que se seguirão...)

Sobre aquilo que chamam Amor...

 

O Amor é um sentimento mais violento que a paixão. Como não chamar de violento um sentimento que faz com que uma pessoa seja capaz de morrer por outra? Ou que seja capaz de abrir mão da própria felicidade pelo bem do amado? O Amor não ilude, o Amor revela. Não se ama quando não se conhece quem se está amando. A Paixão sim é corroída pelo dia-a-dia, destruída pelo defeito, o Amor simplesmente o ignora. E eu concordo, é impossível entender o Amor. Deixo a função de questioná-lo para o filósofo e explicá-lo para o psicólogo, a mim, mortal comum, cabe unicamente a função de senti-lo em toda a sua plenitude, ouvi-lo na batida acelerada do coração, vê-lo no rubor da face, tentar, em vão, controlá-lo quando as mãos geladas e trêmulas insistem em revelar ao mundo toda a Sua força. E, sinceramente, eu acho que o ser humano pode até ser auto-suficiente, mas a auto-suficiência é preto-e-branco, é o Amor que dá a cor, que pincela o tempo com tons de Felicidade mais vibrantes. O Amor só tem um problema, e não é dos menores: traumatiza. Quem amou uma vez tem medo de amar de novo. Não que o medo seja ruim, o medo apenas é uma defesa contra a dor. Mas a dor faz parte da vida. Amar pela segunda ou terceira vez pode não ter a pureza e inocência do primeiro, mas pode ser tão ou até mais gratificante, e por que não dizer mais intenso? Ora, o mito pode "amputar" a plenitude, e só a maturidade e a experiência nos fazem identificar os mitos e "quebrá-los". Não se ama apenas uma vez, nem uma única pessoa é amada apenas de uma maneira por outra. O Amor é mutável, obedece a um ciclo constante "nascer, crescer, minguar, morrer, renascer", e é nessa capacidade de se renovar que se encontra toda a sua força. O Amor não tolhe, acrescenta. Sim, minha visão do Amor é tão cor-de-rosa quanto uma Barbie, mas é porque eu consigo ver brilhar os olhos das pessoas que amam (como pude presenciar essa tarde). Ilusão? Pode até ser que sim, mas o que é a ilusão senão uma maneira de se intoxicar? Drogas, Amor, Álcool, chocolate... efeitos colaterais diferentes mas a mesma função de alterar a percepção da realidade, deixá-la mais degustável. Os verdadeiros heróis, na minha humilde opinião, são aqueles que conseguem transformar um único dia em inúmeros outros. Desculpas a quem eu possa ter desapontado, mas por mais que eu pense, não consigo ser pessimista quando se trata de sentir.

Escrito por Ma.Ad. às 03h15
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24/07/2005


Conclusões 001 (de muitas que se seguirão...)

Eu escrevo porque assim eu vou deixando pistas sobre o que se passa dentro de mim e que ninguém mais sabe, talvez nem eu mesma. Quando eu fizer o caminho inverso, eu vou (espero) saber exatamente o que encontrar, e poderei chamá-la de  "minha essência"...

Escrito por Ma.Ad. às 04h13
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23/07/2005


Quando Eu entro em crise...

Eu não vou mais sentir, não vou mais beber, não vou mais sair, não vou mais comer porcarias, não vou mais me angustiar, não vou mais dormir de maquiagem, não vou mais me apressar, não vou mais sentir ciúmes, não vou mais pensar, não vou mais insistir, não vou mais falar da minha vida, não vou mais mentir, não vou mais gostar, não vou mais ser legal, não vou mais pedir, não vou mais lembrar, não vou mais ouvir, não vou mais querer, não vou mais entender, eu simplesmente desisto...

Outro Eu: (lendo uma revista distraidamente) Dou três dias pra voltar tudo ao normal...

Escrito por Ma.Ad. às 14h39
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21/07/2005


Foi achado mais um trecho de um livro de não-ficção que um dia, quem sabe (se eu fizer algo que preste na vida) venha a ser publicado...

"(...) Ela só precisava do vento que iria levar seu barquinho para beeeeem longe. Então resolveu consultar a bússola e esperar. Salvador? Belo Horizonte? São Paulo? Curitiba? Portugal? Espanha? Ou a sua velha e querida Itália? Não sabia. (...) Só o que Ela queria era se sentir livre. Por isso escolhera uma profissão que a aproximava de Deus... mas Ela queria ser Deus? Não, só queria ser rica. (...)"

Escrito por Ma.Ad. às 01h35
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17/07/2005


Hiperglicemia (ou o filme que me fez suspirar...)

Um é complexo, expõe tudo aquilo em que pensa e acha que a melhor maneira de viver é a sua; é pensativo e trágico, possui um humor negro a toda a prova e uma confiança praticamente inabalável, salvo o momento de se confrontar com o passado. O outro é romântico, metódico e racional na medida do possível; gosta de argumentar, confrontar certas "verdades" e tem grandes sonhos para o futuro. Na primeira vez que se encontraram, se odiaram. Na segunda, começam a se conhecer, mas ainda não chegam a um acordo. O terceiro encontro acontece em torno de seis anos depois, ao acaso. Daí nasce uma amizade que vai crescendo a medida que as diferenças vão aparecendo até que fatalmente acontece aquilo que todos já sabiam – menos eles... ou até sabiam, enfim! – a relação é posta em xeque quando se dão conta que existe algo a mais entre eles... depois da bomba que foi "O Sorriso de Mona Lisa" e de me deleitar com "Os Piratas do Caribe", qual não foi a minha surpresa quando o Film & Arts me presenteou em pleno sábado a noite com uma das estórias mais bonitas que eu já vi ("Harry e Sally")... não que eu tenha a pretensão de ser crítica de cinema ou algo do tipo, mas esse é um daqueles filmes que a gente vê e depois suspira pensando como a vida real podia ter as cores de uma tarde de outono no Central Park e como bons filmes conseguem ser atemporais, mesmo com aquelas blusas com ombreiras e cabelos cheios de permanente...

 

"A" frase escolhida: "Eu vim aqui essa noite porque quando a gente percebe que quer passar o resto da vida com alguém, queremos que o resto da vida comece logo." (Harry Burns, "When Harry met Sally", 1989)

Escrito por Ma.Ad. às 03h01
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BRASIL, Nordeste, TERESINA, Mulher, de 20 a 25 anos, Kinyarwanda, Tonga